
A prevenção ao suicídio não é um tema restrito a uma campanha, um mês do calendário ou um único setor da sociedade. Trata-se de um cuidado contínuo, que envolve um trabalho conjunto entre empresas, famílias, escolas e serviços de saúde para construir redes de apoio sólidas.
Isso significa que minimizar o risco exige mais do que ações pontuais, possibilitando a criação de espaços verdadeiramente seguros e aumentando a chance de identificar sinais para oferecer o acolhimento necessário.
Por que a prevenção ao suicídio é algo que deve ser fortalecido no dia a dia?
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 700 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo, o que faz da condição a quarta principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos.
No Brasil, dados apontam que o Sistema Único de Saúde (SUS) registra uma média de 31 internações por dia por conta de violências autoinfligidas e cerca de 14 mil óbitos por suicídio todos os anos, o equivalente a 38 vidas perdidas por dia. Mas a realidade pode ser ainda maior, já que existem casos sem a devida notificação.
De modo geral, esses números não estão distribuídos igualmente entre a população. Jovens adultos, adolescentes, homens em situação de vulnerabilidade e pessoas com histórico de transtornos mentais estão entre os grupos mais afetados. Mas eles reforçam um ponto essencial: a saúde mental se constrói no dia a dia e não apenas em momentos de crise já instalada.
O suicídio é considerado um fenômeno multifatorial, associado a questões sociais, econômicas, psicológicas e culturais. Assim, sua prevenção também precisa combinar políticas públicas, ambientes de trabalho saudáveis, acesso a tratamento e, sobretudo, vínculos humanos consistentes.
Nesse sentido, iniciativas como o Setembro Amarelo e o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, celebrado em 10 de setembro, cumprem um papel importante ao dar visibilidade ao tema.
Todavia, é essencial sustentar o diálogo aberto sobre saúde mental de forma permanente para reduzir estigmas, inclusive dentro das empresas, que podem oferecer escuta, informação e caminhos de acesso a apoio profissional ao longo de todo o ano.
Como identificar sinais de risco para esse comportamento?
Reconhecer sinais de alerta é um dos passos mais importantes da prevenção, pois abre espaço para uma intervenção precoce. Entre alguns dos comportamentos e ações que merecem atenção redobrada, estão:
- mudanças bruscas de humor, isolamento social repentino ou afastamento de atividades antes prazerosas;
- falas que expressam desesperança, sensação de ser um peso para os outros ou desejo de “desaparecer”;
- alterações no sono, no apetite ou na energia sem explicação aparente;
- aumento no uso de álcool ou outras substâncias;
- comportamento de “despedida”, como doar pertences ou resolver pendências de forma repentina.
No trabalho, esse fenômeno pode aparecer por meio do aumento no absenteísmo, do distanciamento de colegas e da perda de interesse em atividades normalmente valorizadas.
Cabe sempre reforçar que nenhum desses sinais isolados confirma um risco iminente, mas a combinação de vários deles, especialmente quando surgem de forma repentina e persistente, pode exigir uma ação de prevenção sem esperar que a pessoa peça ajuda de forma explícita.
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5 formas de ajudar alguém que precisa de acolhimento nesses momentos
Identificado o sinal de alerta, o próximo passo é agir. E, ao contrário do que muita gente imagina, conversar sobre o assunto não aumenta o risco. Pelo contrário, isso costuma ser uma válvula de escape para quem sofre em silêncio. Mas é importante saber como fazer isso com todo o cuidado necessário:
1. Escute sem julgar
Dê espaço para que a pessoa fale sobre o que sente, sem interromper, minimizar ou comparar a dor dela com a de outras situações.
2. Pergunte de forma direta e cuidadosa
Perguntar abertamente se a pessoa está pensando em suicídio não incentiva a prática e sim mostra que ela pode falar sobre isso com segurança.
3. Valide a dor da pessoa
Evite frases como “isso vai passar” ou “tem gente em situação pior”. Reconhecer o sofrimento como legítimo é parte essencial do acolhimento.
4. Incentive ajuda profissional e acompanhe o processo
Ofereça ajuda para encontrar um psicólogo, psiquiatra ou outro profissional apropriado de um serviço de saúde e mantenha-se presente durante esse caminho, dentro do possível. Com o tratamento adequado, boa parte dos quadros de saúde mental pode ser gerenciada, trazendo uma boa qualidade de vida.
5. Não deixe a pessoa sozinha se houver risco imediato
Em situações de risco iminente, busque apoio de familiares, de serviços de emergência ou do Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo número 188, disponível 24 horas. Ao mesmo tempo, procure eliminar o contato do indivíduo com objetos e meios com os quais ele possa se machucar.
Dentro das empresas, esse tipo de cuidado pode ser fortalecido por meio de canais de escuta confidenciais, programas de apoio psicológico, capacitação de lideranças para reconhecer sinais de sofrimento e campanhas internas que tratam o tema sem tabu.
Por fim, vale reforçar: falar sobre saúde mental e prevenção ao suicídio, de forma responsável e acolhedora, salva vidas. Cuidar desse tema no dia a dia, e não apenas em datas específicas, é o que sustenta estratégias verdadeiramente eficientes.
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