
Com a chegada dos dias mais frios do ano, uma sequência quase previsível se repete: espirros, mal-estar, tosse e rouquidão, entre outros sintomas. Por isso, as doenças infecciosas no inverno compõem um conjunto amplo de condições respiratórias que merecem atenção, especialmente quando o objetivo é fortalecer a prevenção.
Entender as queixas mais frequentes nessa época do ano, qual o papel da vacinação nesse cenário e quais outros hábitos contribuem para manter a saúde em dia é essencial para atravessar o inverno com saúde e disposição.
Por que algumas doenças infecciosas ficam mais comuns no inverno?
O aumento das doenças infecciosas, sobretudo respiratórias, no inverno não é coincidência. Ele é resultado de uma combinação de fatores climáticos e comportamentais que favorecem a circulação de vírus respiratórios.
O ar frio e seco resseca as mucosas do nariz, da boca e da garganta. Por consequência, há uma redução da eficiência dessa barreira natural que o organismo utiliza para bloquear microrganismos. Ao mesmo tempo, ambientes fechados e pouco ventilados, mais comuns quando a temperatura cai, facilitam o acúmulo de microrganismos nocivos no ar.
A gripe, causada pelo vírus influenza, é a mais conhecida desse grupo de doenças, mas está longe de ser a única. Resfriados comuns, infecções por vírus sincicial respiratório (VSR), agentes causadores de pneumonias e outras síndromes respiratórias agudas também ganham força nessa época.
Entre adultos saudáveis, boa parte desses quadros evolui de forma leve. No entanto, para idosos, crianças pequenas, gestantes e pessoas com doenças crônicas, o risco de complicações é significativamente maior.
Adicionalmente, o ano de 2026 exigirá atenção redobrada: autoridades de saúde, como a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), alertam que a temporada de gripe pode ser mais intensa e até começar mais cedo do que o habitual.
O motivo está na circulação acelerada do subclado K do vírus influenza A (H3N2) (chamada também de “gripe K”), que já registrou aumento expressivo de casos no hemisfério norte e chegou ao Brasil.
Apesar do nome diferente, essa é uma variação genética natural do H3N2, sem evidências de maior gravidade, mas com transmissibilidade elevada. Não por menos, o boletim InfoGripe, da Fundação Osvaldo Cruz, registrou aumento no número de síndromes respiratórias agudas graves no fim de fevereiro em parte do país.
Qual a importância da vacinação contra a gripe?
Diante desse cenário, a vacinação se consolida como a principal estratégia de proteção contra as formas mais graves das doenças infecciosas no inverno.
No caso da gripe, o imunizante não elimina completamente o risco de infecção. Todavia, ele reduz de forma expressiva as chances de hospitalização, complicações graves e óbitos entre aqueles grupos mais vulneráveis.
Outro ponto relevante diz respeito ao alcance coletivo da imunização. Ou seja, quanto maior a cobertura vacinal, menor a circulação do vírus na comunidade, protegendo aquelas pessoas que, por alguma razão médica, não podem ser vacinadas.
Me vacinei ano passado. Preciso tomar a vacina de novo?
Sim. A revacinação anual é indispensável por uma série de questões. A primeira é que a proteção conferida pela vacina da gripe diminui progressivamente ao longo do tempo, geralmente a partir de seis meses após a aplicação.
O segundo motivo, e o mais importante, é que o vírus influenza muda com regularidade. Isso significa que a cepa circulante agora pode ser diferente daquela para a qual o organismo foi preparado no ano passado.
Assim sendo, a vacina é reformulada todo ano pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e, posteriormente, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), com base em análises globais sobre quais subtipos estão se espalhando com mais intensidade. A composição do imunizante contempla as variantes que preocupam as autoridades de saúde no momento.
No Brasil, a campanha nacional de vacinação contra a influenza costuma começar entre o fim de março e abril, considerando grupos prioritários, o que inclui:
- crianças de seis meses a seis anos;
- gestantes e puérperas;
- idosos a partir de 60 anos;
- profissionais da saúde, entre outros grupos em que a vulnerabilidade à doença é maior.
Para os demais públicos, clínicas privadas e farmácias com serviços de vacinação disponibilizam o imunizante para todos a partir dos seis meses, salvo contraindicação (que envolve geralmente alguma sensibilidade aos componentes da vacina).
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Quais outras medidas contribuem para manter a saúde no inverno?
A vacinação é o pilar central da prevenção, mas não atua sozinha. Hábitos cotidianos relativamente simples influenciam na redução do risco da gripe e de outras doenças infecciosas no inverno. Entre os cuidados mais eficazes, destacam-se:
- higienizar as mãos com frequência, seja com água e sabão ou álcool em gel, especialmente após o contato com superfícies compartilhadas ou com pessoas sintomáticas;
- manter ambientes bem ventilados, abrindo janelas e portas sempre que possível, mesmo no frio;
- adotar a chamada etiqueta respiratória, cobrindo a boca e o nariz ao tossir ou espirrar, de preferência com o antebraço ou um lenço descartável;
- evitar aglomerações em locais fechados durante o período de maior circulação viral, sobretudo para quem faz parte dos grupos de risco;
- ficar em casa e seguir o isolamento adequado ao apresentar sintomas gripais, evitando o contato próximo com outras pessoas e prevenindo a transmissão;
- manter hábitos que fortaleçam o sistema imunológico, como alimentação equilibrada, sono de qualidade, prática regular de exercícios físicos e controle do estresse;
- buscar orientação médica sempre que os sintomas persistirem ou se agravarem, como nos casos de falta de ar, febre alta que não cede ou piora rápida do quadro, facilitando o tratamento e reduzindo riscos de complicações.
Em resumo, as doenças infecciosas no inverno são esperadas e, em parte, evitáveis. A imunização anual é uma medida bastante efetiva contra a gripe e, associada a cuidados simples do dia a dia, forma uma rede de proteção que permite atravessar as estações mais frias do ano com o bem-estar em dia.
Aproveite e confira mais dicas sobre como fortalecer a imunidade para encarar o inverno.






