
Desde os primórdios da humanidade, diversas formas de comunicação foram criadas, inclusive para além das línguas faladas. O código morse, por exemplo, foi essencial para a transmissão de mensagens por mais de um século.
Com a globalização e os avanços tecnológicos, as pessoas passaram a conhecer os diferentes idiomas e usar recursos para adaptar a comunicação. Além disso, línguas como o inglês se tornaram praticamente universais e permitiram a aproximação de várias nações.
Agora, imagine fazer parte de uma sociedade em que muitas formas de comunicação são compreendidas, mas a sua se restringe a um pequeno grupo de pessoas? Ou seja, na maioria das vezes você não é entendido. Isso é o que geralmente acontece com a comunidade surda.
Nesse contexto, o conteúdo a seguir esclarece por que aprender libras também deveria fazer parte dos objetivos da população e como essa atitude pode impactar o bem-estar social.
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Deficiência auditiva e as dificuldades sociais
De acordo com o Relatório Mundial sobre Audição, elaborado pela Organização Mundial da Saúde, até 2050 uma em cada quatro pessoas viverá com algum grau de perda auditiva. Em números, isso significa aproximadamente 2,5 bilhões de pessoas no mundo.
Em nosso país, 5% da população – quase 10 milhões de pessoas – têm algum tipo de deficiência auditiva, sendo 2,1 milhões surdas ou que escutam muito pouco.
Porém, a língua de sinais não é universal, o que já representa um primeiro obstáculo de comunicação quando olhamos para o panorama geral. Dessa forma, algumas nações desenvolveram a sua própria linguagem, como é o caso da Língua Brasileira de Sinais, mais conhecida como Libras.
Em 2002, a Libras foi reconhecida pela Lei 10.436 como meio legal de comunicação e expressão, tornando obrigatório a presença de intérpretes em locais como escolas, faculdades, empresas de serviços público e as próprias repartições do governo.
Ainda assim, isso não se aplica a todos os locais e a língua faz parte apenas da comunidade surda, o que faz com que essas pessoas enfrentem dificuldades para realizar atividades comuns e necessárias, como conseguir um emprego, participar de eventos culturais, assistir a filmes no cinema ou mesmo ter um atendimento médico de qualidade.
Uma revisão integrativa chamada “Qualidade de vida dos surdos que se comunicam pela língua de sinais” analisou diversos estudos publicados na Biblioteca Virtual em Saúde, no PubMed e no Portal de periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, concluindo que:
- sintomas de ansiedade e de depressão são mais acentuados nos surdos;
- muitas vezes, pessoas surdas evitam novas relações sociais e apresentam índices maiores de isolamento;
- a autoestima e a qualidade de vida são impactadas negativamente pela dificuldade na comunicação.
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Aprender libras reduz as barreiras na comunicação
Em 2024, a Comissão de Educação aprovou um projeto de lei que determina o ensino de Libras na educação básica, ou seja, como uma disciplina obrigatória, além da produção e distribuição de material didático que facilite esse objetivo.
No entanto, para promover a inclusão das pessoas surdas e uma mudança no cenário atual, tanto social quanto no mercado profissional, pessoas de todas as idades precisam fazer parte desse movimento.
Além da Federação Nacional de Integração e Educação de Surdos (FENEIS), presente em diversas cidades, muitas escolas e instituições já oferecem o curso de Libras para quem tiver interesse de aprender, sem precisar exercer nenhuma atividade relacionada ao tema posteriormente.
Como destaca o Jornal da USP, esse conhecimento não só contribui com o enriquecimento cultural, como ajuda no desenvolvimento cognitivo, como o aprendizado de qualquer outro idioma.
Além disso, é um ato social que fomenta a comunicação com as pessoas surdas, amplia o acesso à informação e a igualdade em toda a sociedade.
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Outras dicas para facilitar a comunicação com pessoas surdas
Além de aprender Libras, algumas atitudes podem contribuir para a interação com pessoas que possuem deficiência auditiva, bem como promover mais inclusão em todos os ambientes.
Leitura labial
Não são todas as pessoas surdas que fazem leitura labial, mas muitas desenvolvem essa habilidade e ainda são oralizadas. Dessa forma, é importante posicionar-se de frente para ela e deixar a boca visível ao falar, pronunciando bem as palavras em um ritmo natural. Evite gestos bruscos, mas seja expressivo e mantenha sempre o contato visual.
Linguagem escrita
Em alguns casos, a pessoa pode preferir uma comunicação por meio da escrita para melhor entendimento. O importante é estar disposto e fomentar o diálogo, seja por mensagem digital ou no papel.
Presença de intérprete
Para o ambiente de trabalho ou social, principalmente envolvendo mais pessoas, como eventos, palestras e outros, é importante motivar e solicitar a presença de um tradutor e intérprete da língua de sinais para facilitar a comunicação.
Tecnologias assistivas e ferramentas de acessibilidade
Atualmente, existem diversas maneiras de promover a acessibilidade para pessoas surdas no dia a dia, inclusive no ambiente corporativo, como:
- aplicativos que traduzem uma mensagem em português para Libras ou transcrevem áudios;
- plataformas on-line que disponibilizam o uso de intérpretes para intermediar conversas;
- recursos de interpretação em Libras em programas de videoconferência, como Skype e Zoom;
- uso de legendas em vídeos (pessoais e profissionais).
Pequenas atitudes já fazem uma grande diferença! E cada um pode fazer a sua parte e contribuir com uma comunicação mais inclusiva e uma sociedade mais igualitária.
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