
A leucemia é uma doença comum entre os brasileiros, inclusive em crianças e adolescentes. Por isso, a campanha Fevereiro Laranja torna-se relevante para ampliar a visibilidade sobre esse tipo de câncer.
A iniciativa busca disseminar informações precisas sobre a doença e, sobretudo, ressaltar como o diagnóstico precoce é essencial, pois aumenta as chances de tratamento eficaz.
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O que é e qual o objetivo do Fevereiro Laranja?
A campanha Fevereiro Laranja nasceu com o propósito de levar conhecimento sobre a leucemia à população, ajudando a quebrar mitos e reduzir o medo que ainda envolve esse diagnóstico.
Um dos objetivos centrais é desmistificar crenças equivocadas, como a ideia de que a anemia pode evoluir para leucemia ou de que a doença é contagiosa.
Na prática, um caso de leucemia é o equivalente a um câncer nas células do sangue ou da medula óssea. Ele ocorre quando a composição celular sofre mutações, fazendo com que essas células comecem a se multiplicar descontroladamente. Com isso, há um comprometimento na produção de elementos sanguíneos essenciais para um organismo saudável.
Além de informar sobre a natureza da doença, a campanha ainda busca destacar a importância da doação de medula óssea. Afinal, esse tipo de intervenção frequentemente pode ser uma alternativa terapêutica crucial para determinados tipos de leucemia.
Porém, essa abordagem esbarra na dificuldade de encontrar doadores compatíveis. Muitas vezes, nem sempre parentes próximos, como pais e irmãos, são doadores viáveis.
Por isso, o Brasil mantém oRegistro Nacional de Doadores de Medula Óssea, o Redome – um banco de dados com todos ospotenciais interessados em doar.
Qualquer pessoa entre 18 e 35 anos podeprocurar um hemocentro perto de sua casa e se informar sobre os critérios para fazer parte do cadastro. Depois disso, é fundamental manter as informações de contato sempre atualizadas para o caso de alguém compatível ser localizado.
Quais os números da leucemia no Brasil?
De acordo com estimativas doInstituto Nacional de Câncer (INCA), foram identificados anualmente pouco mais de 11 mil novos casos de leucemia no triênio 2023-2025.
No que diz respeito à mortalidade, em 2023 foram registrados 7.435 óbitos por leucemia no Brasil. Entre os homens, a taxa de mortalidade é ligeiramente maior.
Vale reforçar que determinados tipos de leucemia estão entre os tipos de câncer mais comuns em crianças e adolescentes, representando parte significativa dos diagnósticos oncológicos nessas fases da vida.
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O que se sabe sobre os fatores de risco da leucemia?
Embora as causas exatas da leucemia ainda não sejam completamente compreendidas, especialistas listam fatores que podem aumentar o risco de desenvolvimento da doença. Entre alguns dos destacados também pelo INCA estão:
- exposição prévia à radiação ionizante em altas doses, sobretudo proveniente de tratamentos médicos, como a radioterapia;
- tabagismo;
- contato prolongado com substâncias químicas como benzeno e formaldeído (inclusive por conta do uso irregular em procedimentos estéticos capilares) ou exposição persistente a certos agrotóxicos;
- síndromes genéticas, como a síndrome de Down;
- síndromes mielodisplásicas e outras alterações sanguíneas;
- histórico familiar de leucemia.
No entanto, é importante destacar que a leucemia pode afetar pessoas sem os fatores de risco listados acima. Como qualquer outro câncer, a doença é resultado de uma interação complexa de fatores que nem sempre são identificáveis.
O que diferencia os principais tipos de leucemia?
A leucemia não é uma doença única, mas um conjunto de condições que afetam diferentes tipos de células sanguíneas. De modo geral, são classificadas principalmente em dois grandes grupos: agudas e crônicas.
Como o nome sugere, a leucemia aguda caracteriza-se pela progressão rápida da doença e pela produção de células imaturas que não conseguem exercer suas funções normais. Já a leucemia crônica progride mais lentamente, com células mais maduras que ainda conseguem desempenhar parte de suas funções.
A leucemia pode ser também linfoide ou mieloide, conforme a categoria de células afetadas. Como destaca a Associação Brasileira de Câncer do Sangue (Abrale), dessa combinação de características surgem os quatro principais tipos de leucemia:
- Leucemia Linfoide Aguda (LLA): a mais comum em crianças e caracteriza-se pelo crescimento rápido de células linfoides imaturas;
- Leucemia Linfoide Crônica (LLC): de progressão lenta, afeta principalmente adultos mais velhos por conta da disseminação de linfócitos B defeituosos (tipo de glóbulo branco);
- Leucemia Mieloide Aguda (LMA): acomete principalmente adultos e progride rapidamente devido à disseminação de células imaturas;
- Leucemia Mieloide Crônica (LMC): de evolução sutil, fazendo com que haja proliferação anormal de glóbulos brancos.
Cada um desses tipos apresenta características clínicas específicas, padrões de evolução distintos e abordagens próprias ao longo de cada etapa do tratamento.
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Quais os sinais e sintomas mais comuns de um caso de leucemia?
Embora os sintomas possam variar de acordo com o tipo específico da doença, alguns sinais são comuns à maioria dos casos:
- fraqueza e fadiga persistentes;
- sangramentos frequentes ou de difícil controle, como nasal e gengival, ou manchas roxas na pele (hematomas) sem causa aparente;
- febre recorrente e infecções frequentes;
- dores nas articulações, especialmente nas pernas (comum em crianças);
- aumento de gânglios linfáticos (as famosas ínguas) no pescoço, axilas ou virilha;
- dor ou inchaço na região do baço, localizado no lado esquerdo do abdômen;
- perda de peso inexplicável e falta de apetite.
Vale lembrar que esses sintomas não são exclusivos da leucemia e podem estar associados a diversas outras condições. Portanto, a presença de um ou mais desses sinais, especialmente quando persistentes, deve ser avaliada por um especialista.
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Como funciona o diagnóstico e o tratamento dessa condição?
O diagnóstico da leucemia começa com a investigação dos sintomas e a realização de exames laboratoriais. O hemograma completo costuma ser o primeiro exame solicitado, pois pode revelar alterações no número e na aparência das células sanguíneas.
Na sequência, testes para avaliar a medula óssea e as características específicas dessas estruturas podem ser solicitados, sendo o mielograma o mais comum. A partir da identificação do tipo de leucemia, as principais alternativas de tratamento são:
- quimioterapia, que utiliza medicamentos para destruir as células cancerígenas;
- terapias-alvo, em que medicamentos agem especificamente contra proteínas ou mecanismos presentes na multiplicação das células defeituosas;
- imunoterapia, que estimula o sistema imunológico a reconhecer e combater as células doentes;
- transplante de medula óssea, indicado principalmente em casos de alto risco ou quando outros tratamentos não alcançam os resultados esperados.
Nos últimos anos, os avanços na pesquisa e no desenvolvimento de terapias cada vez mais personalizadas têm aumentado significativamente a eficácia dos tratamentos.
Assim, o Fevereiro Laranja reforça que quanto mais conhecimento e menos tabus houver sobre a doença, maiores serão as chances de pacientes receberem o amparo apropriado no momento certo.
Confira agora uma lista com 12 dicas para cuidar da saúde e fortalecer a prevenção contra diferentes tipos de câncer.






