
A interação entre saúde digital e IA acelerou o acesso à informação médica. Logo, o conhecimento sobre doenças e tratamentos vem se tornando mais ágil e fácil do que nunca. No entanto, embora benéfica, a democratização da informação também levanta alguns alertas.
Entender e discutir os limites dessas tecnologias, que ocupam cada vez mais espaço no cotidiano, contribui para um uso mais consciente e sem riscos ao bem-estar.
Impactos da tecnologia no cuidado com a saúde
Atualmente, é muito comum experimentar sintomas, como uma dor de cabeça, um desconforto no estômago ou uma mancha diferente na pele e o primeiro impulso ser pesquisá-los na internet.
Porém, se com os buscadores tradicionais já havia o risco de diagnósticos equivocados e ansiedade desnecessária, a situação ganhou novos contornos com a popularização de ferramentas de inteligência artificial generativa, como o ChatGPT.
Por consequência, ao mesmo tempo em que o número de usuários dessas ferramentas cresce, a preocupação entre os profissionais de saúde também aumenta.
De acordo com uma pesquisa realizada pelo portal Medscape em 2024 com mais de 1.200 médicos brasileiros, 83% dos profissionais acreditam que é provável ou muito provável que seus pacientes obtenham informações equivocadas ao usar inteligência artificial para questões de saúde.
Além disso, 45% dos médicos demonstram preocupação de que as pessoas levem mais a sério a resposta da IA do que a opinião de um profissional qualificado.
Dessa forma, é preciso considerar como esses hábitos podem gerar consequências sérias para a saúde, tanto em nível individual quanto coletivo.
Os perigos do uso da IA na saúde digital
Quando se recorre a esse tipo de suporte sem orientação adequada, surge espaço para diversos riscos que podem comprometer seriamente a saúde. Entre os principais estão:
- diagnósticos errados: pessoas acreditam estar enfrentando doenças graves quando o problema é simples ou subestimam sintomas que merecem atenção urgente;
- interpretação incorreta de sintomas: provocando uma falsa sensação de segurança ou então um pânico desnecessário por conta da informação obtida;
- atraso no diagnóstico e tratamento de condições sérias: uma pessoa confia no autodiagnóstico digital e decide adiar a consulta médica, fazendo com que casos resolvidos com tratamentos simples tornem-se mais complexos;
- chance de automedicação: já que há fácil acesso a informações sobre medicamentos. As consequências podem incluir reações adversas graves, intoxicações e interações medicamentosas perigosas.
Cabe destacar que, com ou sem IA, a automedicação já é bastante disseminada entre os brasileiros. Uma pesquisa do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ) aponta que mais de 90% dos brasileiros tomam medicamentos por conta própria.
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Como a tecnologia pode ser aliada da saúde
Todos esses alertas são importantes e necessários no dia a dia. Mas vale lembrar que, quando utilizadas corretamente, as ferramentas de saúde digital também podem ser aliadas do cuidado.
Aplicativos que monitoram atividade física, padrões de sono ou ajudam no controle de doenças crônicas, por exemplo, têm papel relevante quando usados em conjunto com acompanhamento médico.
Adicionalmente, ferramentas avançadas implementadas em consultórios e hospitais podem tornar o trabalho dos profissionais mais eficiente e preciso, auxiliando no cuidado adequado com a saúde em diferentes cenários.
Ou seja, o ponto-chave é entender que a tecnologia deve complementar, mas nunca substituir a avaliação profissional. O diagnóstico final, o tratamento e o acompanhamento devem sempre estar nas mãos de médicos qualificados.
Buscando informações confiáveis sobre saúde na internet
Outro ponto crucial na hora de pesquisar sobre saúde online é saber distinguir fontes confiáveis daquelas com informações duvidosas. Por isso, algumas orientações práticas ajudam nessa missão:
- priorize sites de órgãos e instituições oficiais, como Ministério da Saúde, sociedades médicas especializadas, universidades e hospitais de referência;
- confira sempre a data de publicação das informações, uma vez que a medicina evolui rapidamente. Algo considerado padrão há cinco anos pode estar completamente ultrapassado hoje;
- verifique se há referências sólidas citadas no texto, já que artigos confiáveis sobre saúde geralmente fazem referência a estudos científicos, diretrizes médicas ou outras fontes verificáveis. Desconfie de textos que fazem afirmações categóricas sem apresentar qualquer tipo de embasamento;
- fique longe de produtos e tratamentos milagrosos, sobretudo se algo parecer bom demais para ser verdade. Promessas de cura rápida, tratamentos revolucionários sem comprovação científica ou produtos que alegam resolver múltiplos problemas de saúde são sinais claros de que há alguma coisa errada.
O conhecimento em saúde, quando obtido de fontes confiáveis e interpretado com bom senso, contribui significativamente para o autocuidado. Estar bem-informado permite também que pacientes façam perguntas mais pertinentes durante as consultas, compreendam melhor o próprio corpo e tomem decisões mais conscientes.
Por mais que a tecnologia avance e as ferramentas de saúde digital e IA fiquem mais sofisticadas, nada substitui a consulta com um profissional de saúde. É ele que está preparado para ouvir, examinar e avaliar diversos sinais, considerando as particularidades e necessidades de cada indivíduo.
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